ESTUDOS PSICO-PEDAGÓGICOS

 

          Os textos abaixo têm como objetivo auxiliar o evangelizador, educador por excelência, a ampliar sua visão sobre educação, habilitando-se na grandiosa tarefa de trabalhar com e para Jesus. Em nenhum momento tem a pretensão de dizer a última palavra ou se sobrepor a quaisquer outras teorias. Trata-se de uma contribuição ao maravilhoso estudo da pedagogia espírita, aplicada ao trabalho da evangelização, que é um trabalho de educação, com Jesus, Mestre por excelência.



ESTUDOS PEDAGÓGICOS                         

 

*  Educação do Espírito

*  Evolução e educação

*  O germe da perfeição

*  As potências do Espírito

        *   Inteligência:       

        *   Sentimento        

        *   Vontade                  

*  Síntese                      

*  Estudando a criança    

 


 



 

EDUCAÇÃO DO ESPÍRITO – VISÃO GLOBAL

    

     Mestre! Foi o único título que Jesus aceitou. Mestre é aquele que educa.

     Mas o que é educação?

     Existem muitas maneiras de se definir educação. Alguns irão relacionar educação com instrução, com ensino, lembrando o cabedal científico da humanidade. Outros se lembrarão da educação moral, relacionando com a polidez, com a cortesia. Outros lembrarão ainda que é o processo de integração do ser na sociedade. Outros definirão como o processo de desenvolvimento tanto intelectual quanto moral. Alguns se lembrarão da clássica definição de educação como mudança de comportamento.

     Em cada época da humanidade, surgiram pensadores destacando esse ou aquele aspecto da educação. Cada um, naturalmente, destacava o aspecto que estava visualizando, como alguém que está vendo apenas uma das faces de um cubo.

     A Doutrina Espírita, com sua natureza de revelação progressiva, nos amplia cada vez mais a visão de educação, avançando em seu aspecto espiritual  nos oferecendo uma visão global e ampla sobre educação.

     Através das obras de Kardec, Leon Denis, André Luiz, Emmanuel, Joanna de Angelis e outros, podemos ampliar consideravelmente nossa visão da educação.

     Podemos hoje analisar as idéias dos grandes pensadores que tanto contribuíram para o progresso da humanidade, como Rousseau, Pestalozzi, Froebel, Herbart, Piaget, Vygotsky, Wallon, Dewey e tantos outros, relacionando-os entre si e ampliando consideravelmente nossa visão, como alguém que pode observar as diversas faces do cubo, ou como alguém que sobe uma montanha e tem uma ampla visão da realidade.

 

          Os textos abaixo têm como objetivo oferecer essa visão global e ampla da educação, que só se consegue com muito estudo e trabalho e com a luz que a Doutrina Espírita projeta sobre tão profundo tema.

    

              (Veja também  Introdução ao Estudo da Pedagogia Espírita, módulo I)

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EVOLUÇÃO E EDUCAÇÃO

 

     Podemos afirmar, em síntese, que a educação tem como objetivo auxiliar a evolução do Espírito.

     Compreender o mecanismo da evolução auxiliará a compreender o próprio mecanismo da aprendizagem e do desenvolvimento em seu amplo sentido, não apenas biológico, mas espiritual.

     O assunto é complexo e vasto, mas existem três aspectos no processo evolutivo que não podem ser desprezados pelo educador espírita: 

 

          Primeiro: Existe em todo ser um impulso criador, atestado de sua filiação Divina. Filhos de Deus-criador, trazemos em nós essa herança Divina, que nos impulsiona para frente e para cima, construindo a nós mesmos num esforço evolutivo constante. Esse impulso criador esta presente em todos os seres que, impulsionados pelas necessidades naturais, são levados a agir, criando e recriando as bases de sua própria evolução.

 

Segundo:  a evolução ocorre pela ação, pela vivência.

Somos Espíritos em evolução e evoluímos pela atividade, pela ação, pela vivência e não ouvindo passivamente aulas teóricas. O Espírito evolui pelo esforço próprio, interagindo com o meio, através de experiências múltiplas. Não se trata, contudo, de experiências meramente acumulativas, mas de transformações graduais das estruturas íntimas e conseqüentemente mudança interior, criando estruturas novas em níveis cada vez mais elevados, na medida em que o Espírito interage com o meio, física e espiritualmente falando.

 

           

Terceiro:  A cooperação está presente em todo o processo evolutivo.

          Ao lado da tremenda luta pela sobrevivência, observamos os primeiros impulsos para a união das espécies e o trabalho em comum para defesa, alimentação e procriação. E isso não só entre a mesma espécie, como a abelha, a formiga, algumas espécies de peixes e aves. Alguns pesquisadores atuais nos levam a observar o espírito de cooperação entre espécies diferentes, que se unem para a grande batalha da sobrevivência e da perpetuação da espécie. A cooperação, a ajuda mútua, surge já nos reinos inferiores, como base da evolução e desenvolvimento dos princípios da inteligência e do sentimento.  Embora os mecanismos do mundo atual estejam baseados na concorrência, inclusive os meios educacionais voltados para o lado tecnicista da vida, para os vestibulares e os concursos, a Educação do Espírito deverá criar bases para o desenvolvimento do espírito de cooperação, base primordial do amor ao próximo, essência do sentimento cristão.

 

(Veja também Educação do Espírito, cap. 2  e  Introdução ao Estudo da Peg.Espírita, módulo II)

 

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O GERME DA PERFEIÇÃO

 

“A que é semelhante o reino de Deus, e a que o compararei? É semelhante ao grão de mostarda que um homem, tomando-o lançou na sua horta; e cresceu, e fez-se grande árvore...” (Lucas, 13,19)

 

Uma pequena sementinha já possui dentro de si, em estado latente, todas as qualidades da árvore adulta: o tipo de folha, o perfume da flor, as características do fruto... tudo está dentro da semente em germe, e somente necessita de estímulos para germinar.

 

Na questão 776, os Espíritos nos esclarecem que o homem é um ser perfectível e carrega em si o germe de seu aperfeiçoamento.

E na questão 754, confirmam ainda: “Todas as faculdades existem no homem em estado rudimentar ou latente. Elas se desenvolvem conforme as circunstâncias lhes são mais ou menos favoráveis.”

A criança, Espírito criado por Deus para a perfeição é, pois um ser perfectível, ou seja, suscetível de perfeição. Traz em si mesmo o germe da perfeição.

O Espírito, pois, através de suas múltiplas existências, desenvolve gradativamente este potencial interior, o germe da perfeição, como ensinava Jesus:

“O Reino dos Céus está dentro de vós... Buscai primeiro o Reino dos Céus... Sede vós pois perfeitos...”

 

Compreendemos aqui o mais sublime objetivo da educação: o desenvolvimento do germe da perfeição, o potencial interior, as faculdades latentes do Espírito.

 

 

 

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AS POTÊNCIAS DO ESPÍRITO

 

     Em sua escalada evolutiva o Espírito está desenvolvendo tanto o aspecto intelectual quanto o moral, qual pássaro que para voar necessita de duas asas.

“Há duas espécies de progresso que se prestam mútuo apoio e que, todavia, não marcham lado a lado; o progresso intelectual e o progresso moral.” (O Livro dos Espíritos – q. 785).

O objetivo da educação espírita e, portanto, o objetivo da evangelização infanto-juvenil é o mesmo objetivo da própria Doutrina Espírita, expressa na recomendação do Consolador: “Espíritas! Amai-vos e instruí-vos”.

Mas a mola mestra do processo evolutivo é a vontade, que mobiliza as energia interiores para essa ou aquela direção.

     O amor e a sabedoria serão conquistados pelo esforço próprio movido pela alavanca da vontade, uma vez que o Espírito detém o livre-arbítrio de seus atos e deverá, por força da Lei Divina avançar pelo trabalho de si mesmo.

     Inteligência, sentimento e vontade estão atuantes no indivíduo a todo instante, integrados de forma inseparável na vivência do dia a dia. No entanto, para efeito de estudo, analisaremos nos próximos itens o desenvolvimento da inteligência, do sentimento e da vontade, separadamente.

     No item síntese, vamos rever os três aspectos de forma integrada, numa síntese do mecanismo intelecto-moral-volitivo do ser.

    

 

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O DESENVOLVIMENTO DA INTELIGÊNCIA

 

     Em nenhum momento inteligência, sentimento e vontade estão separados no indivíduo. A própria compreensão do mecanismo da inteligência nos leva a compreender que os três aspectos se interagem constantemente. Analisamos cada item separadamente como quem estuda as diversas peças de um mecanismo, sem perder de vista o todo, compreendendo que ela faz parte desse todo que funciona harmonicamente e de forma integrada e inseparável.

 


 

     A Teoria de Piaget:

    

     Segundo Piaget, quando o indivíduo experimenta uma necessidade (desequilíbrio), ele age para restabelecer o equilíbrio, ou seja, readaptar-se.

 

Necessidade (desequilíbrio)    [   ação    [   readaptação (reequilíbrio)

 

 

Percebemos que a necessidade, ao causar o desequilíbrio, impulsiona o indivíduo à ação para restabelecer o equilíbrio. A necessidade está ativando a força interior da vontade.

Quando o indivíduo age, dois aspectos se interagem: a inteligência e o sentimento.

 

Vamos ver o que ocorre quando o indivíduo age:

 

Em todo procedimento (ação) o indivíduo utiliza as estruturas mentais que já possui, que reagirá com o procedimento presente formando nova estrutura. Toda nova estrutura é construída pela interação da ação presente com as estruturas já existentes, ou seja, já construídas anteriormente.

Piaget afirma que este processo de modificação das estruturas interiores, que é um processo de adaptação, ocorre através da assimilação, que consiste na absorção de experiências novas às estruturas interiores e da acomodação que consiste na modificação interior, que acomoda seu funcionamento para adaptar-se às novas experiências.

 

Assimilação

Incorporação de experiências novas

Estrutura anterior        [     AÇÃO        [          Nova estrutura

 

Acomodação

Mudança interior

 

A atividade mental se processa pela assimilação e acomodação em níveis gradualmente crescentes, num avançar progressivo, construindo gradativamente novas estruturas em níveis cada vez maiores, ou seja, partindo do que já se tem dentro de si, construindo estrutura nova, em nível superior.

Esse processo de assimilação e acomodação é constante. A criança assimila o meio através das experiências, da vivência, até o momento em que acomoda suas estruturas interiores às novas experiências, construindo assim, nova estrutura, em nível superior. Essa nova estrutura mental servirá de base para a construção de outras estruturas, em níveis cada vez mais superiores.

A criança necessita de desafios um pouco acima do estágio em que se encontra, para através do seu próprio esforço atingir um estágio em nível superior.

O termo “estrutura mental” se refere à capacidade de realização e não a conteúdos ou meros conhecimentos.

(Veja Educação do Espírito, cap. 4, itens 5 e 6  e  Introdução ao Estudo da Ped.Espírita, módulo III)

 

 


O MÉTODO INTUITIVO DE PESTAZOLLI

    

     O método intuitivo leva a criança, através da percepção, a chegar à conclusão lógica através da observação, comparação e análise, onde ela vai perceber e sentir a realidade em seu íntimo.

     A percepção, para Pestalozzi, tem um sentido global e não se restringe apenas à percepção sensorial. Além dos sentidos, ela atinge o intelecto e o sentimento.

     A razão, o sentimento e os sentidos devem ser estimulados simultaneamente. Todas as capacidades interiores se interagem organicamente e precisam ser estimuladas simultaneamente para ocorrer o desenvolvimento integral e harmonioso do ser.

     Por exemplo: na atividade em que iniciamos o tema Deus, levamos a criança a um contato direto com a obra Divina, a natureza. Visitamos uma chácara, onde a criança pode caminhar descalça na grama, olhar os pássaros e os animais, sentar debaixo das árvores, comer os frutos, sentir o perfume das flores e explorar os recantos maravilhosos que a natureza sempre oferece. O educador apenas orienta discretamente, deixando a criança vivenciar cada momento.

     Pelos sentidos, ela entra em contato direto com a obra Divina, olhando, tocando, cheirando, ouvindo, saboreando... Pelo intelecto, ela analisa e compara: Deus criou tudo isso: os minerais, as plantas e todos os seres vivos. Somente Deus cria a vida... Ao mesmo tempo, ela vai sentir o ambiente, perceber o amor de Deus para com suas criaturas, vibrar na mesma sintonia.

     Embora tendo utilizado poucas explicações teóricas, apenas as indispensáveis para o momento, a atividade interior da criança foi intensa. A percepção em seu sentido global, ou seja, sensorial, intelectual e afetiva foi acionada e a criança pode perceber, sentir, concluir.

     Trabalhando ao mesmo tempo com o sentimento, com a inteligência e com os sentidos, estimula o desenvolvimento integral do Espírito, como ser que pensa, sente e age. O método é construtivista em sua essência, mas vai muito além da definição de construtivismo pela educação contemporânea, pois atinge também o seu sentido espiritual.

(Veja Introdução ao Estudo da Ped.Espírita, módulo III, item 14)

 


 

VISÃO GLOBAL – CONTEÚDOS INTEGRADOS

 

     Antes de entender os detalhes, vemos o “todo”. Vemos um carro como um todo, antes de entender o mecanismo de suas partes. Vemos o todo antes de ver (e entender) as partes.

     A visão global facilitará a analise das partes, como conteúdos integrados, parte de um todo.

     Como podemos ver no item “programa e conteúdo”, O Livro dos Espírito oferece excelente estrutura para se trabalhar com os conteúdos integrados.

     Na primeira parte, por exemplo, “Das Causas Primeiras”, Kardec reuniu os itens Deus, Elementos Gerais do Universo, Criação e Princípio Vital, de forma que todos os itens se inter-relacionam.  Podemos iniciar o estudo com uma visita ao campo ou sítio, onde a criança e o jovem entrarão em contato com a Natureza, observando, analisando e comparando a obra da criação. Veja exemplo no item anterior “O Método Intuitivo de Pestalozzi”.

 

(Veja Introdução ao Estudo da Ped.Espírita, módulo III, itens 18 e 19)

 

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O DESENVOLVIMENTO DO SENTIMENTO

 

     “Ele existe (o senso moral), pois, no selvagem, mas está como o princípio do perfume está no germe da flor, antes dela desabrochar”. (O Livro dos Espíritos, questão 754)

     A criança, pois, embora traga tendências e inclinações do passado, virtudes e vícios, é um Espírito imortal que nasce para evoluir e desenvolver esse germe Divino que traz em si mesmo.

 

     Um dos mais nobres objetivos da educação, em seu sentido mais profundo, a educação do Espírito, é desenvolver essa essência Divina que todos trazemos em nós, fazer a flor se abrir e espalhar seu perfume.

 

     Mas esta tarefa é lenta e gradual e se faz necessário compreendermos como o senso moral se desenvolve gradualmente até abrir-se espalhando o perfume do amor.

 

O DESENVOLVIMENTO MORAL SEGUNDO PIAGET

 

     No aspecto moral, segundo Piaget, a criança passar por uma fase pré-moral, caracterizada pela anomia, coincidindo com o “egocentrismo” infantil e que vai até aproximadamente 4 ou 5 anos. Gradualmente, a criança vai entrando na fase da moral heterônoma e caminha gradualmente para a fase autônoma.

 

ANOMIA       [     HETERONOMIA     [       AUTONOMIA

 

     Piaget afirma  que essas fases se sucedem sem constituir estágios propriamente ditos. Vamos encontrar adultos em plena fase de anomia e muitos ainda na fase de heteronomia. Poucos conseguem pensar e agir pela sua própria cabeça, seguindo sua consciência interior.

     Na fase de anomia, natural na criança pequena, ainda no egocentrismo, não existem regras e normas. O bebê, por exemplo, quando está com fome, chora e quer ser alimentado na hora. As necessidades básicas determinam as normas de conduta. No indivíduo adulto, cracteriza-se por aquel que não respeita as leis, pessoas, normas.

     Na medida em que a criança cresce, ela vai percebendo que o “mundo” tem suas regras. Ela descobre isso também nas brincadeiras com as crianças maiores, que são úteis para ajuda-la a entrar na fase de heteronomia.

     Na moralidade heterônoma, os deveres são vistos como externos, impostos coercitivamente e não como obrigações elaboradas pela consciência. O Bem é visto como o cumprimento da ordem, o certo é observância da regra que não pode ser transgredida nem relativizada por interpretações flexíveis.  De certa forma, a intolerância da Igreja, por qualquer interpretação diferente da sua, referente ao Evangelho, manteve a humanidade na heteronomia moral. O bem e o certo estavam na Igreja, no Estado e não na consciência interior do indivíduo.

     A responsabilidade pelos atos é avaliada de acordo com as conseqüências objetivas das ações e não pelas intenções. O indivíduo obedece as normas por medo da punição. Na ausência da autoridade ocorre a desordem, a indisciplina.

     Na moralidade autônoma, o indivíduo adquire a consciência moral. Os deveres são cumpridos com consciência de sua necessidade e significação. Possui princípios éticos e morais. Na ausência da autoridade continua o mesmo. É responsável, autodisciplinado e justo. A responsabilidade pelos atos é proporcional à intenção e não apenas pelas conseqüências do ato.

     O processo educativo deve conduzir a criança a sair de seu egocentrismo, natural nos primeiros anos, caracterizado pela anomia, e entrar gradualmente na heteronomia, encaminhando-se naturalmente para a sua própria autonomia.

 

     As atividades de cooperação, num ambiente de respeito mútuo, embasado na afetividade, preservam do egoísmo e do orgulho, auxiliando a criança no longo processo de descentração, conduzindo-a gradativamente da heteronomia para a autonomia moral. Um ambiente de medo, autoritarismo, respeito unilateral tende a perpetuar a heteronomia.

 

 

 


Egocentrismo                                                                      descentração

 

 


egoísmo – orgulho                                                                    cooperação – amor

 

ANOMIA             [           HETERONOMIA          [             AUTONOMIA

 



O DESENVOLVIMENTO MORAL E PESTALOZZI

 

     Pestalozzi define três estados ou etapas do desenvolvimento moral do homem:

     Estado Natural ou Primitivo: corresponde à natureza animal, aos impulsos instintivos de sobrevivência e dominação, procurando satisfazer suas necessidades básicas. O homem é egoísta por natureza. Corresponde ao estado primitivo do homem.

     Estado Social: corresponde à moral social, à lei social, ao que se aprende na sociedade. Por necessidade criou-se a sociedade, o governo, as leis, para coibir a manifestação dessa animalidade e garantir ao homem (ainda na animalidade) a satisfação de seus próprios prazeres. Apenas coíbe, impede a manifestação. Não transforma os instintos básicos do homem.

     Estado Moral: ao atingir o estado moral o homem é capaz de trabalhar seus instintos animais, transforma-los, canalizar essa força num sentido positivo e é capaz de construir sua própria moral. A moral não vem de fora – é interior. O homem não é apenas um ser animal, ou um ser social. Antes, acima e além de tudo ele é um ser espiritual, é um ser moral por excelência, pois traz a essência Divina em si mesmo.

     Facilmente identificamos os estados citados por Pestalozzi com as fases morais de Piaget.

     No entanto, Pestalozzi exalta o amor, que é a base sobre a qual assenta toda a sua pedagogia, entrando no campo deslumbrante do sentimento.

     Afirma que, através da vibração, do impulso de alguém que se descobriu como ser Divino, que é um ser moral, que já trabalhou ou trabalha suas camadas íntimas, seus instintos elevando-os ao nível do amor, esse é capaz de despertar no educando o amor que ele já possui em si mesmo. O educador contagia, desperta essa essência que se encontra em estado latente.

     O papel do educador é despertar essa essência Divina no educando para que ele, uma vez consciente de si mesmo, possa se modificar, trabalhar consigo mesmo e não ser governado ou dirigido por igrejas, instituições ou pelo estado. O educador acende a centelha ou desencadeia um processo através do qual o educando vai atingir a sua autonomia moral, o estado moral, despertando a consciência moral, a essência Divina que existe em si mesmo, como filho de Deus.

     O homem que atingiu o estado moral não é aquele que se adaptou a uma sociedade, mas é aquele que constrói sociedades dignas que sintonizam com as Leis Divinas, com o Criador.

 

 


SENTIMENTO E VIBRAÇÃO

 

     O sentimento corresponde a estado vibratório que se amplia e se desenvolve. À medida que se emite vibrações, sintonia com vibrações de teor semelhante, e mais se desenvolve.

     Sensibilizar, pois, é uma das atividades mais importantes de todo processo educativo.

     Segundo Pestalozzi, o sentimento superior de quem já desenvolveu em si a capacidade de amar, pode servir de estímulo ao desenvolvimento do mesmo sentimento, no educando. Ao vibrarmos amor, nosso sentimento atinge as criaturas que nos cercam, envolvendo-as em energia superior, que lhes aquece o “germe” Divino, propiciando condições para o seu desabrochar.

     Eis a função principal do educador: despertar na criança o germe que ela já possui, auxiliando o seu desenvolvimento, através de experiências e vivências adequadas.

     Para isso, o próprio educador precisa vibrar em níveis cada vez mais elevados, criando condições para que o educando também aprenda a vibrar de forma superior, ou seja a amar.

     O estímulo superior “acorda” o germe divino do superconsciente, propiciando condições para o seu desabrochar.

     A ação no presente transforma o germe em patrimônio do Espírito.

 

     (Veja Introdução ao Estudo da Ped.Espírita, módulo VI, item 23)

 

 

 


O EVANGELHO DE JESUS

 

     ”Eu sou o caminho, e a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim.” (João, 14:6)

 

Ninguém chegará ao Pai, ao estado superior de perfeição, a essa herança Divina que já possuímos em estado latente, senão através dos ensinamentos de Jesus, compreendidos pela razão, sentidos pelo coração e vividos nos atos de cada dia, até incorporarem-se como patrimônio eterno do Espírito.

Embora trazendo em si mesmo o germe Divino, o Reino dos Céus, o Espírito somente evolui através do esforço próprio, da ação no bem.

A prática das lições do Cristo nos leva a desenvolver o Reino dos Céus, as qualidades da alma, a herança Divina, a “chegar ao Pai”, ou seja, a vibrar em sintonia com as Leis Divinas.

O desenvolvimento dessas qualidades nos propiciará oportunidade de ingresso em esferas superiores, em mundos mais avançados, pois, como herdeiros de Deus, somos herdeiros do Infinito, do Universo. Mas o Reino dos Céus é construído dentro de cada um, pelo seu esforço e trabalho no bem.

(Veja Introdução ao Estudo da Ped.Espírita, módulo VI, item 25)

 

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A VONTADE

 

     Em toda ação estão presentes o sentimento e a inteligência interagindo com o meio. Mas o que leva o indivíduo a agir é a vontade, seja ela impulsionada pela necessidade, em seus mais diferentes níveis, pelo estímulo do meio ou pela força de atração superior.  

     A vontade é a mola propulsora da ação, do trabalho, do esforço próprio, que leva o Espírito a desenvolver seu potencial interior. É pela vontade que o Espírito dirige seus pensamentos para determinada direção e age.

     Todo o processo educativo, pois, deve ser centrado no estímulo à vontade do educando, para que este queira aprender, queira melhorar-se, empreendendo assim sua ação no bem. O Espírito deve receber os estímulos adequados à sua ação, desafios proporcionais à sua bagagem interior para que ele possa agir, utilizando sua bagagem do passado para a construção do seu futuro.

     O desafio, a necessidade, o conflito íntimo, conduzem o Espírito a agir. São molas propulsoras da evolução.

     O sentimento de amor é energia emuladora, a atrair o educando. Da mesma forma, o exemplo superior e a imagem estimulam a vontade do ser a seguir em determinada direção.

*

     O estímulo à vontade varia em função tanto da maturidade quanto dos interesses imediatos do Espírito, conforme a bagagem que ele traz e suas possibilidades de manifestação gradual. O educador deve utilizar a bagagem que o Espírito trás e que se manifesta em forma de tendências e aptidões, levando-o a agir com interesse, em rumos cada vez mais elevados.

*

     Existe em todo ser, filho de Deus, uma força superior que nos impulsiona para frente e para cima, para níveis superiores de inteligência e sentimento. É a força de atração que o Criador exerce sobre a criatura. O educador, médium por excelência, pode se utilizar dessa força fantástica, despertando o interesse, vivificando a vontade, estimulando o educando a querer avançar, a evoluir.

(Veja Introdução ao Estudo da Ped.Espírita, módulo V, item 26)

 

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SÍNTESE   

 

 

     O homem é um ser que pensa, sente e age de forma simultânea. A vida afetiva e a cognitiva são inseparáveis, norteando a ação.

     Pestalozzi nos ensina que a razão, o sentimento e os sentidos devem ser estimulados simultaneamente. Todas as capacidades interiores se interagem organicamente e precisam ser estimuladas simultaneamente para que ocorra o desenvolvimento integral e harmonioso do ser.

     Assim, pois, embora estudados separadamente, é indispensável que os educadores do futuro, olhem a criança como um Espírito imortal, que traz em si mesmo o germe da perfeição – o conjunto de qualidades interiores a serem desenvolvidas – para oferecer às crianças, experiências ricas que estimulem, ao mesmo tempo, a razão, o sentimento e a vontade.

 

 

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ESTUDANDO A CRIANÇA   

 

     A criança é o Espírito imortal que reinicia sua aprendizagem no mundo, trazendo consigo ao renascer uma bagagem de experiências multimilenárias e, ao mesmo tempo, carregando consigo o germe da perfeição.

     Seu objetivo na Terra: evoluir, desenvolver suas potencialidades interiores, o germe da perfeição que carrega em si mesma como herança Divina.

 

     Os Espíritos nos ensinam que desde o berço a criança manifesta os instintos bons ou maus que traz de sua existência anterior.

     Ensinam também que as faculdades interiores se manifestam gradualmente, de acordo com o desenvolvimento dos órgãos.

     A manifestação do Espírito necessita ser proporcional à fragilidade do corpinho infantil.   (veja O Evangelho Seg. o Espiritismo – cap. VIII-4 e XIV-9)

     A sabedoria Divina dosa os impulsos, regulando-os de tal forma que somente se manifestem de forma gradual, de acordo com o desenvolvimento dos órgãos, permitindo aos pais e educadores trabalharem com esses impulsos que surgem gradualmente, oferecendo estímulos superiores aos ideais nobres que ela está em condições de receber.

     O educador poderá acompanhar o desenvolvimento natural e progressivo da criança, oferecendo-lhe os estímulos necessários, não somente despertando o potencial que se encontra temporariamente “adormecido”, corrigindo impulsos mal direcionados, mas também desenvolvendo, a partir daí, as potências da alma, os poderes latentes do Espírito.

 

 


ETAPAS DE DESENVOLVIMENTO

 

     OS PRIMEIROS SETE ANOS

 

     0 a 2 anos:

     Nos primeiros anos de vida, o corpo físico entra em acelerado desenvolvimento. A energia criadora do Espírito se manifesta no campo sensorial e motor. Os órgãos dos sentidos, tato, visão, audição, olfato e paladar se desenvolvem rapidamente.

     Gradualmente, conforme o desenvolvimento dos órgãos, o Espírito se manifesta, deixando transparecer lentamente, conforme os estímulos do meio, suas tendências e aptidões, que se acentuam cada vez mais.

 

     Segundo Piaget, os esquemas sensoriomotores são construídos a partir de reflexos inatos (sucção, preensão...), usados pelo bebê para lidar com o meio. Tais esquemas vão se modificando com as experiências, diferenciando-os e tornando-os cada vez mais complexos e maleáveis.

     Baseia-se em percepções sensoriais e esquemas motores – pegar um objeto, jogar uma bola, bater, morder, jogar, balançar, etc.

     Afetividade e inteligência são processos indissociáveis e influenciados, desde cedo, pelo meio social.

     Vive o aqui-e-agora da situação. Não consegue representar eventos ou evocar o passado.

     Se um objeto for deslocado de sua visão ela não irá procura-lo. É como se o objeto tivesse deixado de existir.

     Nesse mesmo período, as concepções de espaço, tempo e causalidade começam a ser construídas, possibilitando à criança novas formas de ação prática para lidar com o meio. Esquemas mais  complexos são construídos, de forma a propiciar o aparecimento da função simbólica, que vai alterar a forma da criança lidar com o meio, anunciando uma nova etapa: pré-operatória.

 

     Compreendemos, contudo, que a criança, sendo um Espírito reencarnado, está na verdade, reconstruindo esquemas já construídos no passado e habilitando o novo corpo ao comando do Espírito que, gradualmente se manifesta por ele.

     As experiências e atividades que vivencia são de grande importância nesse processo de recapitulação e reconstrução. Quanto mais ricas as experiências, mais dinâmico será o processo de reconstrução, propiciando ao Espírito maior possibilidade de manifestação de seu potencial interior.

     No aspecto afetivo, o amor dos pais e das pessoas que o cercam nesses primeiros anos, é necessário ao seu desenvolvimento nesta área, não só para acordar sentimentos já desenvolvidos no passado como para alimentar o superconsciente, desenvolvendo gradualmente vibrações de caráter superior e nobre.

     Do ponto de vista moral, está na fase de anomia, coincidindo com o egocentrismo, natural nesta idade.

     Até essa idade a criança pode compreender instruções verbais simples e sua fala é muito imatura. Deve-se trabalhar com experiências sensoriais e ações motoras, envolvendo-a num ambiente vibratório de carinho e amor. A presença dos pais, especialmente da mãe, é muito importante nesses primeiros anos de vida.

 

 

 

     02 a 07 ANOS:

 

     Na medida em que a criança cresce, sua percepção do meio se amplia e a influência externa se torna maior. A importância do meio e dos exemplos será fundamental na educação do Espírito reencarnado nesses primeiros sete anos.

     As casas espíritas devem oferecer às crianças este ambiente salutar e evangelizador através da vivência dos princípios do Evangelho e do conhecimento superior que a Doutrina nos oferece.

 

     Do ponto de vista cognitivo, segundo Piaget, a criança se encontra no chamado “pensamento pré-operatório” que já indica uma inteligência capaz de ações interiorizadas, ações mentais. Mas é um pensamento centrado em si mesmo: pensamento egocêntrico.

*

     A partir dos 3 anos, o Espírito amplia sua convivência com o outro. A influência do meio e os exemplos são enormes.

     Ao sentir as vibrações superiores e observar os exemplos edificantes, a criança tende a adotar modelos e agir como eles agem, o que equivale a dizer, a viver e vibrar na mesma sintonia. Exemplos nobres e ambiente evangelizador são indispensáveis.

    

     O sentimento superior, aliado ao conhecimento espiritual que a Doutrina Espírita oferece, formará o alicerce sólido para o Espírito que está “construindo o próprio futuro santificante”.

     Deve-se trabalhar com vivências. A criança não aprenderá por meio de exortações e aulas teóricas, mas poderá compreender aquilo que é capaz de vivenciar. Utilizar atividades que envolvam os órgãos dos sentidos, que estão em franco desenvolvimento.

     A criança pequena compreende o mundo como o vê, tendo uma percepção sensorial muito sensível e aberta ao mundo. Mas a percepção não é apenas sensorial, mas também intelectual e afetiva. A emoção que o momento suscita, a vibração do ambiente é de grande importância.

     Nesta idade, o aspecto emocional e afetivo prepondera sobre o aspecto intelectual. O amor é fundamental para o desenvolvimento dos sentimentos nobres do Espírito reencarnado. O amor e o carinho do adulto alimentam as regiões superiores da alma, o superconsciente onde se localiza o ideal superior, a essência Divina que todos possuímos.

     Deve-se trabalhar, desde cedo, em ambiente de cooperação, em clima  de respeito mútuo entre educador e educando, embasado no afeto sincero, auxiliando o processo de descentração, a passagem gradual da anomia para heteronomia, preparando caminho para a autonomia moral e intelectual que ocorrerá mais tarde.

    

 

    

     07 a 12/13 anos

 

     Segundo André Luiz no livro Missionários da Luz, item 13, após os sete anos, o processo reencarnacionista está consolidado. Uma primeira etapa da nova reencarnação terminou e o Espírito está apto a iniciar nova etapa evolutiva na presente encarnação, integrado em seu novo corpo.

     Nesta etapa, o pensamento lógico, objetivo, adquire preponderância. As ações interiorizadas vão se tornando cada vez mais reversíveis e, portanto, móveis e flexíveis. O pensamento se torna menos egocêntrico. A criança é capaz de construir um conhecimento mais compatível com o mundo que a cerca. O real e o fantástico não se misturam em sua percepção.

     Pensamento operatório: Piaget denominou esse período de operatório porque é reversível: a criança pode retornar, mentalmente, ao ponto de partida.

     A construção das operações possibilita a elaboração da noção de conservação.

     O pensamento agora baseia-se mais no raciocínio do que na percepção.

     O concreto: O pensamento operatório, contudo, está muito ligado ainda aos materiais que possam ser observados. Ela precisa do concreto para desenvolver o pensamento operatório.

 

     Na evangelização infanto-juvenil, que trabalha com conceitos muitas vezes profundos, como desencarnação, reencarnação, mundo espiritual, etc., temos necessidade de concretizarmos tais ensinamentos, utilizando objetos como maquetes, fantoches, material de sucata, etc., preparando a criança para a próxima etapa onde deverá estar apta a trabalhar com as idéias abstratas.

     Do ponto de vista moral, Piaget destaca que a criança, embora na fase da moralidade heterônoma, caminha lentamente para a sua autonomia moral. Daí a necessidade de se trabalhar, desde cedo, em ambiente de cooperação, em clima de respeito mútuo entre educador e educando, embasado no afeto sincero.

     É muito importante uma autoridade natural baseada no afeto.

     A criança necessita sentir-se engajada nas atividades, daí a necessidade dos métodos ativos, que propiciam uma participação intensa da criança em seu próprio processo educativo.

 

 

 

13/14 anos em diante:

 

     Sexualidade e emoção: Essa é uma das mais belas e importantes fases do Espírito reencarnado. Segundo André Luiz (Missionários da Luz, item 2) a epífise, glândula da vida mental, acorda as forças criadoras e, em seguida, continua a funcionar, como o mais avançado laboratório de elementos psíquicos da criatura terrestre. “A glândula pineal reajusta-se ao conserto orgânico e reabre seus mundos maravilhosos de sensações e impressões na esfera emocional. Entrega-se a criatura, à recapitulação da sexualidade, examina o inventário de suas paixões vividas noutra época, que reaparecem sob fortes impulsos”.

     André Luiz afirma ainda que a epífise, glândula da vida espiritual do homem, “comanda as forças subconscientes sob a determinação direta da vontade”.

     O Espírito reencarnado ver-se-á diante das emoções que cultivou no passado, sendo chamado ao reajuste dos canais de manifestações de suas energias interiores, retificando possíveis erros do passado e direcionando suas energias para os canais superiores da vida.

     No livro citado, o instrutor Alexandre revela ainda que todos os seres da criação trazem em si o impulso criador; no entanto, mais da metade dos Espíritos reencarnados na Terra se fixam nos movimentos instintivos, concentrando suas faculdades no sexo. Grande parte já conquistou a razão, acima do instinto, permanecendo, contudo, nos desatinos da prepotência e do capricho autoritário, famintas de evidência e realce. Pequeno grupo, contudo, de homens e mulheres, em regime de responsabilidade, se fixam na região sublime da superconsciência, absorvidos em idealismo superior.

     Daí a importância de se alimentar a alma infantil com sentimentos elevados, cultivar os ideais superiores da alma e abrir canais para a expansão e liberação dessa energia para os caminhos superiores da vida, abrindo-se e expandindo a energia criadora nos caminhos belos e Divinos da arte em geral, da música, da dança, do teatro, das artes plásticas, da poesia e, ao mesmo tempo, desenvolvendo os ideais nobres da alma que vão desembocar no amor ao próximo, essência Divina e superior do sentimento maior.

 

     O PENSAMENTO FORMAL: Do ponto de vista cognitivo, Piaget destaca que os primeiros tempos da adolescência, o jovem começa a lidar não só com as situações reais e concretas, mas também de pensar logicamente sobre coisas abstratas. Aumenta gradualmente a capacidade de resolver problemas abstratos, adquirindo o pensamento científico.

     Daí a importância de se trabalhar com técnicas dinâmicas que levem o jovem à pesquisa, à troca de idéias, ao desenvolvimento do pensamento científico.

     O jovem se torna capaz de lidar não só com situações reais e concretas, mas também de pensar logicamente sobre coisas abstratas. Capacidade de resolver problemas abstratos, adquirindo o pensamento científico. É capaz de raciocinar cientificamente, formando hipóteses e comprovando-as na realidade ou em pensamento. Ela passa a usar operações lógicas e lógica formal à maneira adulta, na resolução de problemas.

 

     MORAL AUTÔNOMA: Teoricamente, o jovem se encaminha para a autonomia moral, adquirindo a capacidade de se governar a si mesmo. Obedece não mais às regras externas, sem critério ou por medo da punição. Ao adquirir a capacidade de análise e raciocínio lógico, obedece aos princípios éticos e morais com consciência e compreensão de sua necessidade. Na ausência da autoridade, permanece o mesmo. Tende a ser responsável, autodisciplinado e justo. No entanto, o próprio Piaget, em suas pesquisas, chegou à conclusão que apenas pequena parte da humanidade chegou à plena autonomia moral.

     A Doutrina Espírita, contudo, clareando a razão, demonstrando a existência da Lei de Causa e Efeito e os princípios básicos que auxiliam a nossa evolução gradual rumo à perfeição, abre caminho para o desenvolvimento do Espírito, rumo à plena autonomia moral e intelectual, pois ambos se completam.

 

 

     Sugerimos também, aos leitores interessados, procurar ler sobre o pensamento intuitivo, que não se refere à fase intuitiva definida por Piaget, mas a um estágio que estaria acima do pensamento racional. 

O assunto merece um estudo mais profundo e, por esta razão, encaminhamos o leitor às fontes:  Introdução ao Estudo da Pedagogia Espírita, módulo VI, item 30  e  módulo VII, final do item 33)

 

 

(Veja também  Introdução ao Estudo da Pedagogia Espírita, módulo VII)

 

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